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02/06/2005 13:31



A alegria da parada

O escritor e colunista da Revista G Magazine, João Silvério Trevisan diz que “para um gay participar da parada equivale a 10 anos de terapia”. Sempre concordei com a afirmação. Mas, esse ano pude constatar melhor isso pois, fui com um grupo, onde muitos participavam pela primeira vez.

A parada tem um clima de festa não só pela típica alegria da Comunidade GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e trangêneros), mas pela felicidade dos participantes, que ao menos nesse dia não precisam disfarçar comportamentos e atitudes.

Os casais andam de mãos dadas, se beijam e ficam abraçados. Amigos pulam, dançam e cantam, tudo isso sem a preocupação de serem reprimidos. Atos banais para qualquer heterossexual, mas que nos são roubados diariamente.

O clima é de carnaval mesmo e já foi alvo de críticas. Mas, creio q esteja aí o diferencial de nossa manifestação. Afinal busca-se acima de tudo o direito de sermos como somos.

E a diversidade de nossa comunidade é alegre e um tanto festeira. Seria estranho ver gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros desfilando pelas ruas de cara fechada e com armas em punho.

Afinal a parada não é apenas um momento de luta por direitos, mas de celebração da nossa natureza. É dia de festejar o nosso amor, nosso desejo e nossa atitude.

E como em toda festa é impossível controlar o exagero de alguns participantes. Mas, como pude constatar durante o evento e depois pela mídia (como acontece todo ano) nenhum grave incidente foi registrado.

Isso é outro fato que deve ser ressaltado e reverenciado pois, foi um evento de rua, aberto com mais de dois milhões de participantes.

O nosso dia-a-dia já é de grande luta para vivermos conforme nossa orientação. Portanto reafirmo a importância do evento, principalmente para a melhora da auto estima das pessoas de nossa comunidade.

Para muitos é a oportunidade de reconhecer que não são os únicos. Que não estão sozinhos na vivência de sua sexualidade. E dessa forma, se livrar de todo e qualquer sentimento de culpa imposto pela educação da nossa sociedade.

Foi muito legal ver o brilho nos olhos de alguns rapazes, com média de idade de 25 anos. Um deles parecia estar anestesiado pela alegria, como uma criança quando ganha um brinquedo muito desejado.

Mesmo os mais tímidos dançavam e se divertiam com a festa. Com isso creio que mesmo que a pessoa esteja ali sem saber conscientemente o seu papel no evento, ela está sentindo e vivendo a emoção. O que também é muito importante.

Quem vive a emoção da parada consegue encarar melhor os desafios do cotidiano. Afinal quem se aceita, se ama e vive feliz tem como lutar melhor por seus direitos.


novo endereço do site da parada:
www.comunidadeglbt.com.br

CD de fundo: DJ Tiesto - Just Be
enviada por lu






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